A Guarda

Localizada no município de Palhoça, no estado de Santa Catarina à 46 km ao sul de Florianópolis a praia da Guarda do Embaú é um cantinho paradisíaco  e encantador. Para ter acesso a suas praias, é necessário atravessar o Rio da Madre. O balneário está localizado no Parque Estadual da Serra do Tabuleiro e conta com aproximadamente 400 moradores, a maioria artesãos, pescadores e surfistas.

 O TESOURO ESCONDIDO NA GUARDA

O Santo Graal pode estar escondido na Guarda do Embaú, em Palhoça, O cálice de esmeralda onde Jesus serviu vinho aos apóstolos na noite da Santa Ceia, segundo a Bíblia, teria sido enterrado, junto ao ouro supostamente acumulado pelos padres jesuítas no Brasil, na região entre a Guarda e a vizinha Praia da Pinheira.
A hipótese é levantada pelo escritor catarinense CLAUDIR SILVEIRA, em seu livro:
A LENDA DO TESOURO GUARDADO EM BAÚ.
Para escrever sobre a lenda, o autor pesquisou documentos, conversou com caçadores de tesouros e pescadores nativos da região.
Claudir Silveira observa que os jesuítas da Companhia de Jesus que vinham do Sul, em navios, depois de serem expulsos do país pela Coroa Portuguesa, em 1760, e antes de viajarem, a Roma, teriam sido perseguidos por piratas ou pela própria armada Portuguesa. Na fuga, teriam desembarcado na região entre a Guarda e a Pinheira e escondido as riquezas.
Conforme um dos pescadores e nativos da Guarda do Embaú, Valdomiro Alvim Corrêa, 63 anos, mais conhecido como Cabral, um desses lugares é a estrada do Cumbatá, que liga a Guarda com a Pinheira. Cabral acredita que o tesouro existe, mas em ouro.
“ Até hoje ainda não acharam.Eu era muito interessado por tesouro, desde pequeno. Um velhinho me contou 50 vezes a história e era sempre a mesma. Por isso acho que  é verdadeira” conta Cabral, enquanto entralha uma rede de tainha, a beira do Rio da Madre.
O velhinho é Manoel Sabino da Silva, o seoManeca. Ele morreu a 5 anos atrás, aos 105 anos. Conforme Cabral, Maneca contava que, há 250 anos, um morador da região chamado “Camparra” foi buscar mantimento no Desterro (nome antigo da cidade de Florianópolis), em um barco a vela. Época de muitos piratas. O homem descarregou lenha e ovo de galinha no porto que ficava na Prainha e levou café, açúcar e charque.
Na volta, Camparra encontrou três jesuítas que perguntaram se ele poderia levá-los a bordo com uma mercadoria. Eles falaram que era louça, mas era ouro. Ninguém sabe onde os jesuítas encontraram esse ouro – diz o pescador.
Os BAÚS DEIXADOS NA LAGOA
Na passagem pela Praia do Sonho, os padres perguntaram se havia um carro de boi na região. Camparra disse que tinha um na Pinheira. Chegando lá, trataram a viagem com os donos do transporte. O destino era Araranguá.
Quando chegaram na estrada do Cumbatá, os bois cansaram. Os padres arrancaram um punhal e os donos dos bois correram. Ficaram os três padres com a carga – conta Cabral.
À noite, os bois apareceram na casa de um dos donos para comer.
Os jesuítas ficaram a pé e decidiram enterrar as três marrecas (baús) recheadas de ouro para buscar depois. Como não tinham ferramentas para cavar, largaram tudo numa lagoa. Antes, havia muitas lagoas, hoje aterradas.
Duzentos anos depois,conta Cabral, um jesuíta apareceu na Guarda para buscar o tesouro.
No livro, Silveira fala numa versão em que os lugares dos tesouros teriam sido registrados pelos três padres num manuscrito, entregue ao Vaticano. E que o jesuíta João Alfredo Rohr teria sido incumbido de achar os tesouros, inclusive o Santo Graal.
Ouro no quintal da casa
Na lenda contada pelo pescador Cabral, o tesouro está onde aparecem os corais. Ele parou de costurar a rede e levou a reportagem até o local.
Conforme Cabral, os bois cansaram onde hoje é o quintal da dona de casa Maria das Graças Lopes. Do terreno dela era possível ver os corais, ou seja, a ilha do Coral. Hoje não dá mais porque construíram um prédio na frente, em cima de uma lagoa.
Nos fundos da casa de Maria das graças também tinha uma lagoa.
- Pelo que escutei, o tesouro está no meu quintal. Meu genro veio com aparelho para acusar, mas estava estragado.
Maria garante que, se encontrasse o ouro, saía do terreno na hora:- Diz que morre um quando estão cavando onde tem tesouro. A pessoa tem que cavar com uma vela acesa, rezando, e tem que ser depois das horas mortas (meia noite). Se não, aparece espírito.
No final da pesquisa, Claudir Silveira não confirmou a existência do tesouro. “ Ou se tudo não passa de fantasias misturadas com alguns componentes de realidade, o que para as pessoas simples sempre se transforma numa lenda.
( extraído do Diário Catarinense no encarte Continente do dia 03 de junho de 2011